quinta-feira, abril 09, 2009

O erro de Rousseau

O que nos diz a sistemática molecular é que os homens, os chimpanzés e os bonobos partilham um último antepassado comum que vivia algures em África há cinco a sete milhões de anos e que, desde então, as nossas linhagens não deixaram de divergir. Darwin comete, de facto, uma dupla blasfémia ao tocar nas origens e ao evocar causas naturais, ou materialistas, para explicar o aparecimento do género humano.
Vivem em grupos sociais, são comunidades compostas por vários machos e fêmeas adultas e pelas suas crias. Ao contrário do que observamos noutros mamíferos e em particular noutros primatas, os machos são endógâmos e verilocais e as fêmeas são exogâmicas e alopátricas - portanto não há incesto.
A mentira, perfídia, amizade, riso, tristeza e alegria moldam a sua vida, bem como tantas outras manifestações de consciência de si, do outro e do grupo. Quem são?... OS CHIMPANZÉS...
São os costumes, mais do que o uso de utensílios de pedra, que perturbam a nossa humanidade. Tanto neles como em nós se observam comportamentos que variam dos mais sórdidos aos mais nobres.
Mesmo os bonobos (muito mais pacíficos) têm a mesma tendência para a guerra que os homens, desfazendo assim o mito do "bom macaco selvagem". Destroem-se desta forma quaisquer esperanças de origens à Rousseau. Pensamos em Konrad Lorenz que tinha proposto um cenário das origens mais (realista) agressivo e violento!
Adaptado de Nova História do Homem, Pascal Picq

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