Quinta-feira, Maio 23, 2013

Aprendizagem - a importância dos estímulos


Um grupo de psicólogos de Berkeley liderados por Mark Rosenzweig realizaram uma série notável de experiências sobre as alterações cerebrais provocadas pelas aprendizagens. Criaram duas populações de cobaias - uma num ambiente monótono e repetitivo e a outra num ambiente variado e vivo. O segundo grupo manifestou um grande aumento da massa e espessura do córtex cerebral. Ficou demonstrado que as transformações fisiológicas acompanham a experiência intelectual e mostram a plasticidade do cérebro. Uma vez que o aumento de massa do córtex cerebral pode facilitar as aprendizagens futuras, revela-se claramente a importância de ambientes enriquecidos durante a infância.

Sábado, Maio 18, 2013

Os meus professores - by Carl Sagan

"É melhor acender uma vela do que maldizer a escuridão."

Os meus pais não tinham formação científica nem sabiam nada de Ciência. Mas, ao porem-me simultaneamente em contacto com o ceticismo e o deslumbramento, ensinaram-me os dois tipos de pensamento que estão na base do conhecimento científico e que são tão dificeis de conciliar. Embora vivessem a um passo da pobreza, quando anunciei que queria ser astrónomo, recebi um apoio incondicional. Gostaria, também, de falar dos professores de Ciências que me estimularam na escola Primária ou no Liceu. Quando recordo esses tempos, vejo que não existiu nenhum. Havia uma memorização maquinal dos conteúdos. Não havia um sentimento de exultação e de deslumbramento, o menor vestígio de evolucionismo e nada sobre ideias erradas em que em tempos toda a gente acreditara. Na universidade os meus sonhos tornaram-se realidade: encontrei professores que não só compreendiam a Ciência, como também eram capazes de a explicar. Mas ao olhar para trás, parece-me que o essencial não aprendi com os professores, mas com os meus pais, que não sabiam nada de Ciência...No ano de 1939, levaram-me à feira mundial de Nova Yorque, onde pude desfrutar das últimas maravilhas da tecnologia - fiquei deslumbrado. Os meus pais poderiam ter gasto o dinheiro noutras prioridades, mas levaram-me à dita feira...

Adaptado de Um mundo infestado de demónios, Carl Sagan

Sábado, Maio 11, 2013

Humanidade (s) - 3


Esta é uma viagem ao interior de nós próprios. Para entender o que é ser humano, temos de entender a nossa mente. É aí, na nossa capacidade de refletir sobre nós mesmos e sobre o nosso relacionamento com o mundo que parecem residir as diferenças entre nós e o resto dos seres vivos. Os nossos atríbutos físicos e grande parte dos nossos comportamentos não são excecionais.O que nos distingue é a vida mental e a capacidade de imaginar. A nossa história tem sido longa, mas não existiu uma sequência precisa de mudanças que conduziram inexoravelmente dos símios aos humanos com alguma inevitabilidade divina; estamos cá, mas podíamos não estar...Existiu apenas o eterno caos da história evolucionária.
 Adaptado de A história do homem, Robin Dunbar

Holocausto Nazi
Violência

Sábado, Maio 04, 2013

O papel (imprescindível) da Escola

A organização específica de educação formal que conhecemos – a Escola –, com maior ou menor ênfase, persegue as seguintes finalidades:

  • A finalidade socializadora, isto é, a integração dos indivíduos na comunidade, através da construção de normas e valores;
  • A finalidade cultural, ou seja, a transmissão do património de conhecimentos, técnicas e crenças;
  • A finalidade produtiva, na medida em que proporciona ao sistema económico e demais sistemas sociais o pessoal qualificado de que necessitam;
  • A finalidade personalizadora, ao promover o desenvolvimento integral da pessoa;
  • A finalidade igualizadora, uma vez que procura corrigir as desigualdades sociais.

Posto isto, nem é necessário ler a Pedagogia do oprimido, de Paulo freire, para se compreender que a escola é o meio por excelência que permite atenuar os desnivelamentos e atropelos do neoliberalismo...


Sábado, Abril 27, 2013

Humanidade (s) - 2

Não existe um ponto na nossa história para o qual possamos apontar com segurança e dizer: "Ah, e aqui tornámo-nos humanos". Talvez fosse melhor ver a nossa história como uma história de crescentes graus de humanidade. Estivessem os neandertais, os erectus e os habilis ainda vivos e o fosso entre nós e os outros grandes símios seria menos evidente. O facto de já não existirem, levou a que exagerássemos a nossa aparente singularidade e tem sido responsável por nos dar uma falsa sensação da nossa própria importância. Isto acaba por resultar na tendência para antromorfizar tudo o que nos rodeia; temos que nos defender contra este estigma quando tentamos compreender o mundo ao nosso redor.
Há cerca de 40 mil anos haveria de surgir na Europa uma subespécie de Homo sapiens, vinda de África tal como a de Neandertal. Deu-se-lhe o nome de Homos sapiens sapiens ou Homem de Cro-Magnon. Por razões pouco claras o Neandertal acabou por se extinguir. Alguns investigadores consideram a sua extinção, quando da chegada à Europa dos Cro-Magnon. Estes já tinham uma crença religiosa que lhes proporcionava a possibilidade de agir em grupos maiores, com mais união e motivação, ao confrontar-se ecologicamente com o primeiro. Desde essa data até aos dias de hoje só existe uma única espécie de Homem, mas entre os dois milhões e os vinte e oito mil anos atrás, deambularam pela Terra entre duas a cinco espécies de seres humanos...

Obras consultadas:

A História do Homem, Robin Dunbar
A Educação dos genes, Luís Bigotte de Almeida

Da única espécie que sobreviveu, temos tido uns belos exemplares...

Violência
Hitler e Estaline
















Neandertal
Milosevic

Pol Pot


Vítima de genocídio - Ruanda