10/02/10
08/02/10
da(s) Finalidade(s)
O Universo tem precisamente o que se deve esperar se, no fundo, não há desígnio, nem bem, nem mal, nem nada, senão uma indiferença cega e insondável. Devíamos relembrar a conhecida resposta de Laplace a Napoleão depois de este lhe perguntar: "Porque é que na sua mecânica celeste nunca aparece Deus?" Laplace respondeu: "Senhor, não necessitei de introduzir essa hipótese." É uma verdade inquestionável que somos primos dos chimpanzés(não derivamos deles como erradamente se pensa, partilhamos, antes, um antepassado comum), primos mais distantes dos papa formigas, primos ainda mais distantes das bananas e dos nabos...a lista poderia continuar indefinidamente. Ora isto não tem de ser verdade. Não se trata de uma verdade evidente, tautológica, óbvia e houve tempos em que a maior parte das pessoas, mesmo as instruídas, pensava que não era. Não tem de ser verdade, mas é. Sabemos isso porque uma vaga crescente de provas o confirma - a evolução é um facto. Não tem uma finalidade nem caminha num sentido de maior perfeição (que chatice para o nosso ego...). O seu caminho é o da adaptação às características ambientais do meio, vigentes em determinado período da história da Terra.
Adaptado de O espectáculo da vida, Richard Dawkins
06/02/10
da VIDA e da Morte...
Com Rosa Lobato Faria.
Aqui fica um extracto da entrevista, uma das últimas de Rosa Lobato de Faria, feita a propósito do lançamento do livro Alma Trocada e publicada na Notícias Magazine de 30 de Setembro de 2007. Para ler e reler com atenção...Uma Lição!
Tenho impressão que sei até onde posso ir, e não é muito longe», dizia aos 40 anos, em 1973, ao Diário de Lisboa, na altura locutora e declamadora, ainda sem qualquer escrito publicado. Foi mais longe do que pensava ou estava só a ser modesta?
Não, não estava a ser modesta, não sou modesta. O que me aconteceu, e isso não podia prever, foi que ganhei uma nova vida quando descobri que era capaz de escrever romances. Isso só aconteceu em 1994, com o Pranto de Lucífer. Foi um presente que a vida me deu, completamente inesperado, e que me cumulou de felicidade.
Os seus romances são atravessados pela paixão. Os seus personagens amam desesperadamente. A Rosa é uma apaixonada?
A paixão é uma doença, e tenho pena das pessoas que nunca a tiveram, porque é bom tê-la, mas hoje em dia seria uma desgraça apaixonar-me... Outro dia, num programa de televisão em que participei, ligou para lá uma senhora que dizia que nunca tinha tido uma paixão assolapada por ninguém, toda a vida tinha sido felicíssima com o marido, só tinha conhecido aquele homem, e eu tive imensa pena dela porque se não sofreu, não se apaixonou, não chorou de raiva, nem de ciúmes, nem de insegurança, nem de abandono, sabe lá o que é a vida!
No tacanho Portugal dos anos sessenta, casada e mãe de três filhos, decide sair de Évora e ir tirar um curso de guia intérprete em Lisboa e começar a trabalhar. Um escândalo a que se seguiria outro, o da separação.
Eu lia muito e fui percebendo que era uma estupidez aquele tipo de vida, «agora casas-te com este e tens que o gramar para o resto da vida». Tinha três crianças, mas achei que isso não devia ser um obstáculo a que eu vivesse a minha vida, até porque os meus filhos seriam mais inteligentes e menos preconceituosos se rompesse com aquelas regras sem sentido. Tinha que experimentar as minhas próprias asas e saber quem era e foi o que fiz. Não foi fácil.
Descobriu quem era?
Levei tempo... mas hoje sei quem sou.
Não se leva demasiado a sério?
Não, em nada.
E quando desce (do "seu mundo"), como vê a situação actual do país?
Com um enorme sentido de humor. Ou a gente se suicida ou vê com humor. Não há alternativa.
Tem consciência da leveza com que fala dos livros?
Nada é muito importante, para dizer a verdade. Nem a morte, excepto talvez a morte dos outros, mas a própria morte não tem importância nenhuma.
Não tem medo da morte?
Nenhum.
Já disse que era uma mulher muito bonita e despertou muitas paixões. Como tem lidado com o envelhecimento?
Muito bem. Tenho muitas teorias (ri), para tudo tenho teoria, e uma delas é que a mulher e o homem têm de ser lindos é na idade fértil porque faz tudo parte de um plano universal para a reprodução da espécie. Claro que disfarçamos com um jantar à luz das velas, etc., mas no fim vai tudo dar ao mesmo: os homens – por isso é que não acredito muito na monogamia – têm de espalhar o seu sémen no máximo de fêmeas possível – coitados, uns lá se contêm, outros não – e as mulheres a mesma coisa, no tal plano universal a mulher gostaria de ser fecundada pelos melhores machos para ter os melhores filhos. A sociedade é que não permite nada disso. Portanto, quando acaba a idade fértil, para quê fazer operações para fingir que se é nova? É ridículo. Fisicamente, cai tudo um bocado, mas em compensação ganha-se serenidade, inteligência, humor, e uma tranquilidade perante a morte que não tínhamos quando éramos novas.
05/02/10
em Memória de
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.
Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.
Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.
Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.
Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.
Rosa Lobato faria
02/02/10
01/02/10
da Indisciplina
O aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar. Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores. Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.
'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater. 'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.
Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.
No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa.. 'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.
Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'. Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.
A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade. 'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'. 'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater. Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.
'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou. Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.
Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.
será?
31/01/10
29/01/10
27/01/10
26/01/10
24/01/10
O grande Euler
Se o sucesso matemático é medido pela revelação de ligações profundas entre ideias que superficialmente não possam estar relacionadas, então é Euler quem recebe o prémio. Ele é o responsável pela talvez mais cncentrada e famosa fórmula de toda a matemática, a qual num golpe arrojado junta o pi, o e e o i (a unidade imaginária, a raiz quadrada de -1), bem como os números inteiros básicos 0 e 1. Euler reconhece que, se elevarmos o número e à potência pi vezes i e lhe somarmos 1, obteremos 0.
Contemplamos a absoluta elegância, a beleza hieroglífica e a austera concisão da fórmula de Euler (a qual é tão atraente para os místicos como para os matemáticos):
23/01/10
Fantástico 12º lugar
O FC Porto é a melhor equipa portuguesa no ranking mundial de clubes da Federação de História e Estatística do Futebol (IFFHS), liderado pelo Barcelona. Na última actualização de uma lista que contabiliza resultados a partir de 1991, o tetracampeão está no 12.º lugar.
O Benfica (34.º), o Sporting (80.º) e o Boavista (107.º) são os outros clubes portugueses que aparecem no ranking, no qual aparecem 208 clubes.
1. FC Barcelona
2. Manchester United FC
3. Real Madrid CF
4. Juventus FC
5. Milan AC
6. FC Internazionale Milano
7. FC Bayern München
8. Arsenal FC
9. CA River Plate
10. Chelsea FC
11. Liverpool FC
12. FC do Porto
14. AFC Ajax Amsterdam
16. Valencia CF
19. Glasgow Rangers FC
33. Glasgow Celtic FC
34. Sport Lisboa e Benfica
34. Sport Lisboa e Benfica
43. RSC Anderlecht
80. Sporting Clube de Portugal Lisboa
19/01/10
Que cena...
Há cenas que me incomodam...Normalmente guardo-as para mim. Mas hoje estou para o desabafo!
Vem a propósito das cenas de violência no Haiti, recentemente vítima dos caprichos dos deuses, para uns, ou da mãe natureza, para outros. Era suposto que a solidariedade imperasse entre os nativos; ao invés, a luta pela sobrevivência instalou-se, passando a reinar a lei do mais forte.
Do patamar intelectual "atingido" pela espécie humana seria de esperar uma postura diferente.
Afinal, 4 milhões de anos depois de descer das árvores, os nossos genes levam a melhor sobre a nossa socialização, em especial quando o estado de direito entra em colapso - onde está a humanidade que nos diferencia? E muitas vezes são aqueles que negam o seu lado biológico, que mais rapidamente soltam o "animal" que há em si - apesar de continuarem a reenvindicar o que de sagrado há nas suas origens!!!
Afinal, 4 milhões de anos depois de descer das árvores, os nossos genes levam a melhor sobre a nossa socialização, em especial quando o estado de direito entra em colapso - onde está a humanidade que nos diferencia? E muitas vezes são aqueles que negam o seu lado biológico, que mais rapidamente soltam o "animal" que há em si - apesar de continuarem a reenvindicar o que de sagrado há nas suas origens!!!
150 anos depois, o que diria Charles Darwin?
18/01/10
do Controlo
Aprendemos que os sistemas necessitam de uma liderança. Segundo estudos matemáticos (Steven Strogatz) concluiu-se que muitos sistemas funcinam melhor sem essa liderança. No fundo a nossa mente funciona assim: somos cidades de neurónios que estão continuamente a interagir e a coligação que ganha é a nossa percepção consciente do mundo. É bom que saibamos isto: no nosso cérebro, não há ninguém encarregue pela manutenção, não existe um controlo central , não há um líder.
Temos uma imagem de nós mesmos muito elevada: julgamos que somos livres, que temos crenças inabaláveis...Gostamos de pensar que as nossas mentes são sólidas e invulneráveis e que podemos decidir quem nos pode influenciar ou não. Poucas coisas estão mais distantes da realidade que esse espírito vaidoso. Somos, por natureza, influenciáveis.
Adaptado de A alma está no cérebro, Eduardo Punset
17/01/10
14/01/10
do Conhecimento
Conhecer, como criar, é compor metáforas, é estabelecer nexos e criar sentido para o que nos rodeia. A nossa criatividade baseia-se no derrube de fronteiras entre os campos do conhecimento. Tal devería levar a abolir o erro que constitui fazer uma distinção entre Letras e Ciências. Só a unificação das diferentes áreas do saber nos conduzirá ao conhecimento.A realidade é contínua, porém, só a conseguimos entender porque a fragmentamos e categorizamos - é a nossa forma de apreender o mundo. No entanto esses procedimentos (fragmentação, categorização, divisão) apenas contribuem para forjar ideias erradas.
Poderá ser útil numa primeira fase de aprendizagem, mas se mais tarde não se partir para a síntese, ficaremos ainda mais ignorantes...
11/01/10
Rankings
Os resultados do inquérito "qual a mente mais brilhante" (encerrado a 31/12/2009) confirmaram o esperado: Leonardo da Vinci, Newton, Einstein, Galileu e Darwin acabam por sobressair de um leque de personalidades extraordinárias. Em definitivo, os seus trabalhos possibilitaram consolidar ou mudar paradigmas que permitem compreender o mundo tal como o concebemos presentemente.
No entanto, gostaria de referir que qualquer listagem deste tipo será sempe subjectiva; ainda para mais quando nessa lista constam personalidades de diferentes épocas. Não dúvido que as individualidades mais recentes tiveram a vida "facilitada" pelo trabalho dos seus antecessores...Daí a frase "se consegui ver mais longe foi porque me apoiei NOS OMBROS DOS GIGANTES", que, "por acaso", foi proferida (gesto de humildade) por aquele que muitos consideram a mente mais brilhante de sempre - Isaac Newton.
Nesta perspectiva,verdadeiramente grandes foram, por exemplo, Euclides ou Eratóstenes - que tiveram que "construir o GIGANTE" a partir da base.
Outros poderiam ter constado do inquérito, nomeadamente:
- Thomas Edison, Tesla...;
- Blaise Pascal, Gauss, Euler, Descartes, Pedro Nunes, Nash...;
- Feynman, Maxwell, Faraday, Heisenberg, Planck, Fermi...;
- Dalton, Pauling, Gay-Lussac, Mendeleev...;
- Claude Benard, Mendel, Lineu, Watson e Crick, Morgan, JBS Haldane...;
- Lev Tolstoi, Shakespeare, Marcel Proust, Eça Queirós...;
- Beethoven, Bach, Chopin, Van Gogh...;
- Alexandre Magno...;
Subjectivo, como qualquer ranking!
07/01/10
Faz hoje 400 anos
O homem que reafirmou as teses de Copérnico, sustentando que a Terra gira em torno do Sol como outros planetas, observou que Júpiter tem luas próprias. Galileu, em honra de quem tem vindo a ser comemorado o Ano Internacional da Astronomia (prolongado até Março deste ano) estudou medicina, mas a sua vida foi dedicada à matemática, física e astronomia. As suas observações, ainda no ano de 1609, desvendaram uma Lua com crateras e montanhas e uma Vénus com fases. Da Via Láctea contestou a ideia de uma mancha de natureza mística para revelar tratar-se de "uma incontrolável multidão de estrelas amontoadas".
"E no entanto ela move-se"
06/01/10
01/01/10
Boa pergunta
Uma das prendas de natal e que vale bem a leitura.
Se alguma constatação se pode retirar destes longos e conturbados meses de crise financeira é a de que os Estados nacionais se transformaram num dos pilares fundamentais do sistema económico. De repente, os estados emergiram no centro do sistema financeiro como os salvadores de todo um sistema desacreditado que entrava em colapso. Se ate há bem pouco tempo se anunciava que a economia não passava pelo Estado, agora proclama-se que a economia não pode passar sem o estado.
Será que aprendemos a lição?
30/12/09
da Natureza humana_I
É fácil cair na armadilha de pensar que uma característica humana, sendo produto da evolução, deve estar presente desde os primeiros tempos de vida. Não estando presente, consideramos que é apreendido e, portanto, exterior à nossa natureza. Isto é uma falácia: as raparigas nascem sem seios e os rapazes sem barba, mas mais tarde acabam por desenvolvê.los. O mesmo se pode extrapolar para processos comportamentais, os quais podem obedecer a "programas cerebrais" que só estão à espera de amadurecer.Adaptado de A alma está no cérebro, Eduardo Punset
24/12/09
do Optimismo
Julgo que vale a pena ser optimista, e há um motivo adicional: se fores optimista, geras felicidade no teu interior e é possível que a cries nos outros. Se fores pessimista, não tens nenhuma esperança: estás completamente convencido de que perderás. se for possível escolher, opta pela felicidade e pelo optimismo, já que, pelo menos, existe essa possibilidade. Se já decidiste que algo não vai funcionar, não haverá maneira de que funcione. Por isso me parece que vale a pena apostar no lado positivo...aproveitando a quadra natalícia em que a malta é "toda amiga"...
20/12/09
da Ignorância_I
O proclamado ateísmo de alguns darwinistas e de outros materialistas modernos é uma profissão de fé com o mesmo estatuto epistemológico que a fé muçulmana, cristã, judaica ou outra qualquer. Para ser coerente, a Ciência não deve ultrapassar as suas fronteiras nem postular dogmas metafísicos. Parafraseando Confúcio «sobre aquilo que não podemos falar devemos manter-nos em silêncio.»
Darwin e os neodarwinistas podem lembrar-nos a selva de onde viemos, mas não conseguirão nunca garantir-nos que temos nela obrigatoriamente e, para sempre, de viver.
É crucial evitar abusos resultantes da ignorância, arrogância e prepotência, males que costumam afectar os crentes prosélitos, tanto os religiosos como os ateus...
Adaptado de De Marx a Darwin, Onésimo Almeida
18/12/09
Convite recebido do IBMC
The IBMC.INEB, and all organization members of the "EXUBERÂNCIAS DA CAIXA PRETA a propósito d’ A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais de Charles Darwin" would like to invite you to the exhibition opening at the Museu Nacional de Soares dos Reis, OPorto, on the 17th of December 2009 by 6.30pm. We invite you to reflect upon the Darwin’s book. This exhibition coexists between the physical expression of the emotions – stereotyped and deriving from our shared biology – and the extraordinary, and sometimes surprising, exuberance of its representations, inevitably resulting from our cultural and existential multiplicity, in which one reflects the other.
16/12/09
14/12/09
da Interpretação
A força metafórica da expressão de Dawkins - the selfish gene - terá sido em parte responsável por abusos de interpretação. O autor fartou-se de insistir nesse carácter metafórico da sua linguagem porque os genes não agem em consciência, não têm propósitos nem intenções.
Infelizmente a metáfora colou mais facilmente no imaginário público do que as reflexões do próprio Dawkins. Por exemplo, poucos prestaram atenção a frases como «We, alone on earth, can rebel against the tyranny of the selfish replicators» - um autêntico apelo a nós humanos transcendermos o «Darwinismo nu e cru».
Se alguma lição devemos aprender das guerras ideológicas de que aos poucos vamos saindo é a de que a força da evidência é muito poderosa e nada como aceitar a realidade como ela é. Só conhecendo bem a realidade (e aí a grande ajuda vem da Ciência) poderemos procurar transformá-la de modo a ela poder ser, ou aproximar-se, daquilo que pretendemos que ela seja.
Adaptado de Marx a Darwin, Onésimo Almeida
12/12/09
Os saltos da evolução_2
A visão - Os primeiros olhos do registo fóssil datam de há 540 milhões de anos (explosão do câmbrico). Há mais do que uma forma de fabricar olhos, mas todos têm em comum um fotorreceptor, a rodopsina. Este pigmento possibilita a visão e regula o ritmo circadiano nos organismos. Este pigmento tambem pode ser encontrado nas membranas dos cloroplastos responsáveis pela fotossíntese, cujos antepassados eram as cianobactérias. Deste modo, estas já seriam capazes de detectar as alterações luminosas do seu habitat.
O sexo - A origem (e preservação) do sexo é em certa medida um absurdo. A priori, a reprodução assexuada é mais cómoda e, aprentemente, eficaz. Na sua origem poderá ter estado a troca de material genético entre grupos de células em vez de se clonarem, como faziam as bactérias. Este feliz acidente proporciona uma enorme vantagem à descendência, pois permite variabilidade (e, consequentemente, melhor adaptação ao meio em mudança).
O sangue quente - É uma invenção relativamente recente. Permitiu uma maior eficácia metabólica e consequentemente a colonização de habitats diversos, maior resistência e um cérebro volumoso, por exemplo. O coração de quatro cavidades que permitiu isto terá evoluído a partir de corações mais simples - duas cavidades, nos peixes, para três cavidades nos reptéis e finalmente quatro nas aves e mamíferos.
A consciência - Antes do primeiro ano de vida os bebés reconhecem-se ao espelho. Essa capacidade é denominada de consciência. O cérebro físico é produto da evolução, mas donde terá surgido a mente que é imaterial? temos duas formas de consciência - a primária e a elaborada. A primeira recolhe informações e reconstrói o presente, enquanto a elaborada junta memória e linguagem, dota de significado emocional cada percepção e acrescenta-lhe passado e futuro.
A morte - A morte tem vantagens evolutivas. Por exemplo: para as mãos de um embrião humano se poderem formar, as células que unem os dedos através de uma membrana terão de ser sacrificadas. Só a morte torna possível a vida multicelular. Esta apoptose terá tido origem na especialização celular.
08/12/09
Problema de Expressão - MUTAÇÕES
Como ocorre então uma mutação? Imagine-se, por exemplo, a transcrição da seguinte frase: «Nós somos máquinas de sobrevivência - robots cegamente programados para preservar as moléculas conhecidas por "genes".». Ora, numa nova edição do livro O gene egoísta, de Richard Dawkins, alguns erros tinham escapado à correcção (prof-reading) e a frase aparecia assim: «Nós máquinas somos de sobrevivência - robots cetamente programados para preservar moléulas conhecidas por "genes.»
Detectámos três erros: 1 - inversão entre palavras; 2 - substituição da letra g pela letra t; 3 - delecção da letra c em "moléculas". Passando para a linguagem da vida, estas mutações ocorrem na replicação da molécula de DNA e muitas delas têm implicações fenótipicas, na medida que alteram a(s) proteína(s) produzida(s).
02/12/09
01/12/09
Os saltos da evolução_1
1. A origem da vida - Se recuássemos cerca de 4 biliões de anos veríamos o nosso planeta a cuspir magma por todo o lado e com uma atmosfera isenta de oxigénio. Foi nestas condições poucos propícias que a vida se originou. Contrariamente ao caldo orgânico defendido por Darwin, ela poderá ter surgido num affair químico entre átomos e moléculas, nas profundezas oceânicas das fumarolas hidrotermais.
2. A célula complexa - As bactérias - em especial as arqueobactérias - foram os únicos seres do planeta durante 3 biliões de anos. A célula eucariotica terá surgido por processos de simbiose entre ancestrais procariotas, em especial entre células hospedeiras e mitocôndrias/cloroplastos que passaram a viver dentro daquelas. Claro que a célula hospedeira teria de proteger o seu DNA dentro do núcleo, visto os hóspedes não serem de fiar...
3. O código genético - A vida obedece a um código que estabelece as normas para traduzir a informação contida num gene e frabricar a sua proteína. Para que tal se verifique têm de ocorrer os fenómenos de transcrição e tradução. Dados recentes concluiram que a molécula primordial foi o ARN e não o ADN. Pensa-se que o ARN teve origem em nucleótidos (unidade básica dos ácidos nucleicos) formados nas chaminés hidrotermais. "Bastou" converter o ARN em ADN (mais fiável como armazém de informação); para tal foi necessário uma enzima, que é a mesma usada pelos retrovírus actuais...é possível que a vida tenha começado como um ciclo de vida retroviral.
4. A fotossíntese - Os antepassados dos cloroplastos foram as cianobactérias. Estas tinham um pigmento verde - a clorofila - que absorve a radiação solar para quebrar as moléculas de água, libertar oxigénio (que foi enriquecer a atmosfera até então redutora) e electrões simultâneamente. Estes electrões disparados sobre o CO2 presente nas folhas das plantas permitiram a formação de glicose.
5. A locomoção - No final do Pérmico, há 250 milhões de anos, surgiram os músculos, máquinas que podiam transformar a energia química em mecânica. São formados por feixes de miosina, actina e ainda cinesinas. Todos eles encontram os seus antepassados nas bactérias móveis (batimentos dos flagelos...). Continua o mistério sobre a célula eucariótica - será que esta desenvolveu a sua capacidade através de genes que já possuía ou através de cooperação com outras células? O que sabemos é que estes organismos já tinham mobilidade, caso contrário ter-se-iam extinguido.
29/11/09
Os "Saltos" da Evoluçao
Qualquer tentativa de listagem será sempre discutível, mas nada nos impede de considerar os 10 grandes "inventos da evolução" como sendo:
I. A origem da vida (3700 milhões de anos);
II. A célula complexa
III. O código genético
IV. A fotossíntese
V. A locomoção
VI. A visão
VII. O sexo
VIII. O sangue quente
IX. A consciência
X. A morte
28/11/09
do Erro
O mais importante da vida, creio eu, não é ter experiências, mas sim aprender com as experiências. Não se trata de ter a experiência, mas sim de aprender com ela. Aquilo que digo aos meus estudantes é que não me incomoda que cometam um erro ou um equívoco: toda a gente se equívoca, e isso é bom, porque se aprende com os erros. O que me incomoda é que se repita o mesmo erro muitas vezes.
Pode-se mudar a vida e o cérebro através da aprendizagem e das atitudes perante a vida, pois o cérebro não é uma estrutura estática e imutável ao longo da mesma.
Adaptado de A alma está no cérebro, Eduardo Punset
24/11/09
Desertos
A razão principal é que já não há muita gente que tenha tempo a perder com o deserto. Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram. Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails e contactos no Facebook e nas redes sociais da net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida.
Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se encontrarem, contactam-se, para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expôem-se logo por inteiro.
E todos são bonitos, jovens, divertidos, "leves", disponíveis, sensíveis e interessantes. E por isso é que vivem esta estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão. Eis porque já não há ninguém a atravessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão.
Adaptado de No teu deserto Miguel Sousa Tavares
22/11/09
da Natureza Humana
A muitas pessoas incomoda a ideia de que a mente humana seja o produto da evolução, porque essa é uma visão cínica que parte do princípio de que os humanos são violentos e competitivos. Contínuamos agarrados à ideia de que somos mais do que moléculas. Somos o produto de 30 mil genes...mas há outros organismos com genomas maiores! Talvez não nos agrade a ideia de que outros seres possam ter mais livre arbítrio do que nós. Os humanos gostam de pensar que têm um corpo e uma mente ou alma. Deliciam-se acreditando que essa mente, alma ou espírito controla, de algum modo, o nosso cérebro, da mesma maneira que controlamos um computador. No entanto, todos os fenómenos relacionados com a alma, as emoções, a moralidade, o raciocínio, todos sem excepção, consistem, na verdade, em actividades fisiológicas que ocorrem nos tecidos cerebrais.
A neurociência demosntra que não se trata de nós "possuirmos" um cérebro, mas sim de que nós "somos o nosso cérebro".
Adaptado de A alma está no cérebro, Eduardo Punset
21/11/09
18/11/09
dos Conflitos
Quase todos os seres humanos partilham as mesmas crenças concretas; por exemplo: todos acreditamos no mesmo sobre o Sol, a gravidade e os alimentos (pelo menos no Ocidente).
Todavia, quando na hierarquia do córtex ascendemos à categoria das ideias abstractas, as crenças diferem. Cada religião, por exemplo, tem um conjunto diferente de crenças distintas, e nem todas poderão estar correctas. O "algoritmo" que nos permite conhecer o mundo, também pode gerar falsas crenças sobre determinados assuntos e levar-nos a fazer coisas más. Aqui reside a explicação para a maior parte dos conflitos que se produzem no mundo. Ocorrem porque todos temos um conjunto diferente de crenças na parte superior do neocórtex, ao passo que todos partilhamos as crenças básicas. Só a educação, o ensino, o conhecimento e uma mente aberta poderão minorar estas diferenças ao nível do neocórtex...
Adaptado de A alma está no cérebro, Educardo Punset
12/11/09
da Verdade - parte III
Não foi há muito tempo que Karl Popper nos lembrou a transitoriedade do nosso conhecimento e a falta de fundamentação para aquilo que consideramos certezas, constantemente sobre a ameaça de serem ultrapassadas.
Uma das grandes marcas do conhecimento nos nossos dias consiste na consciência da nossa ignorância.
O cérebro é um excelente sistema de processamento de informação, mas não há nenhuma explicação para como e porquê nós termos experiências subjectiva, sentir emocional, ou uma "vida interior".
Como alguém referiu "não sou jovem bastante para saber tudo", após uma adolescência e primeira idade adulta em que fui platónico vejo-me agora aristotélico, indutivo, receoso das grandes visões, de sonhar que possuo chaves para os grandes problemas do universo.
Adaptado de De Marx a Darwin, Onésimo Almeida
11/11/09
09/11/09
Tirar os óculos.
Antes de Copérnico, toda a humanidade estava convencida de que o Sol dava voltas em torno da Terra. Era tão evidente...! Como podia alguém insinuar que Aristóteles e todos os sábios haviam estado equivocados? Era uma mudança demasiado brusca...como outras que se seguiram.
Mudanças radicais custam imenso ao cérebro. As pessoas que durante toda a sua vida acreditaram que foi Deus que criou os seres humanos não conseguem aceitar a ideia darwiniana de que descendemos de um ancestral comum com outros primatas.
Ao longo da sua vida, o cérebro vai criando uma moldura psicológica da qual é muito difícil sair, como se desde pequenos nos tivessem colocado uns óculos que se interpusessem entre o nosso pensamento e a realidade.
A chave consiste em ter coragem para tirar os óculos!
Adaptado de A alma está no cérebro, Eduardo Punset
08/11/09
Há palavras que nos beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill
05/11/09
da Ignorância
Deve reconhecer-se que "compreender" melhor o Universo não nos permite mais nas nossas vidas do que aclarar aqui e ali um pouquinho dos caminhos que trilhamos, todos eles estreitos e construídos sobre abismos e buracos negros imensos onde impera a ignorância que, por definição, não é necessariamente ignorância para outros que connosco se cruzam. É paradoxal, mas a ignorância tem essa característica de nunca termos a noção dela, da sua localização ou extensão, precisamente porque se o soubéssemos ela se dissiparia.
Adaptado de Marx a Darwin, Onésimo Almeida
04/11/09
02/11/09
Estreia...a não perder.
Numa época em que o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior, Moore dá-nos a visão realista de uma América que nem todos querem ver, fazendo comparações pertinentes ao nível da história mundial. Polémico como já nos tém habituado, chama a atenção para os problemas do capitalismo. O filme serve para alertar não só os americanos como também o resto do mundo para os bastidores de uma crise em que afinal todos parecemos ser marionetas.
01/11/09
Monstros do Universo
Apesar da relativa tranquilidade que reina no Sistema Solar, o Cosmos é um lugar indómito (caótico) - cheio de buracos negros supermassivos, estrelas de neutrões em rota de colisão e astros errantes que foram expulsos da sua galáxia.
A mitologia inumana idealizada por Howard Philips Lovecraft colocava no centro do vácuo Azathoth, uma divindade amorfa e cega, de natureza tão imensa e caótica que o Homem não conseguia conceber a sua existência.
No final de 2008, investigadores Alemães do Instituto Max Planck confirmaram, após 16 anos de estudos, que o centro da nossa galáxia é governado por outro sultão não menos caprichoso: um buraco negro com massa 4 milhões de vezes superior ao Sol, o qual absorve estrelas que expulsa para outros locais a grande velocidade...mas o Universo está cheio de outros corpos estranhíssimos; alguns deles se estivessem próximos de nós ameaçariam ou, simplesmente, impediriam a nossa existência...perante este cenário, nós e o nosso planeta somos assim tão especiais?
Adaptado de "Super Interessante", nº 138, pp 18-23
31/10/09
29/10/09
28/10/09
da "verdade"_Parte II
Até há pouco tempo, pensava-se que, uma vez ali, no córtex cerebral, as recordações ficavam fixas e não tinham a fragilidade da memória de curto prazo. Na verdade, não há duas pessoas que descrevam um acontecimento da mesma maneira. Parece incrivél? Não é. Várias testemunhas de um acontecimento oferecem versões diferentes. Todos estiveram ali, presentes, e nenhum deles mente, porém, vêem as coisas a partir de perspectivas distintas, estabelecem as suas próprias associações e têm as suas próprias emoções em relação àquilo a que assistiram. Estas divergências nos testemunhos já haviam intrigado Freud nos finais do século XIX.Adaptado de A alma está no cérebro, Eduardo Punset
26/10/09
Jô Soares...nem sempre brincando...né!
O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo".
Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende.
Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição.
O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele.
Jô Soares
24/10/09
O «eu» que a evolução nos deu...
A nossa mente é aquilo que somos. Hoje, os fármacos contra a ansiedade ou a depressão, a timidez ou hiperactividade fazem já parte da nossa cultura. É incrível a persistência da ideia de alma, que desde a sua "descoberta" nunca foi abandonada. Quando alguém toma prozac ou vinho sabe que eles podem alterar a nossa percepção e, portanto, acabam por alterar também o nosso carácter. Sabemos também que níveis baixos de serotonina estão associados a estados de depressão. O cérebro é física e química, mas as consequências desses processos físico-químicos são as ideias.
O «eu» é um conceito muito importante no Ocidente e a mera ideia de que o eu possa desaparecer...causa estragos. Quando observamos alguém com alzheimer ou de outro tipo de lesão cerebral, pode ver-se realmente como o eu dessa pessoa desaparece: vai-se destruindo paulatinamente à medida que o cérebro se vai deteriorando.
Adaptado de A alma está no cérebro, Eduardo Punset
21/10/09
19/10/09
Saramago dixit
Entrevistado, ontem, em Penafiel:
"(...) é preciso ter muito cuidado com aquilo que se lê. E, no caso da Bíblia - a que eu chamo manual dos maus costumes -, ainda mais cuidado é preciso ter".
"(...) é preciso ter muito cuidado com aquilo que se lê. E, no caso da Bíblia - a que eu chamo manual dos maus costumes -, ainda mais cuidado é preciso ter".
18/10/09
15/10/09
O Homem duplicado
Os seres humanos são capazes de incorporar contradições. Não são tão simples como se supõe. Um animal pode ser fiel ou infiel, mas não ambas as coisas simultaneamente. Nós, humanos, temos essa capacidade:podemos amar e odiar ao mesmo tempo, e podemos ser fiéis e infiéis em simultâneo.
Talvez isso seja parte da natureza humana, pois só um cérebro evoluído é capaz de viver com contradições e em conflito. Além do mais cada um de nós está cheio de preconceitos (quem diria?). Estes são o fruto de uma conduta adaptativa e como tal permitiram a sobrevivência da espécie.
Adaptado de A alma está no cérebro, Eduardo Punset
08/10/09
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