quinta-feira, novembro 26, 2015

A extraordinária viagem do cérebro de Einstein



O génio da Física adoeceu gravemente a 13 de Abril de 1955, falecendo 5 dias mais tarde, no hospital de Princeton, aos 76 anos de idade. Sete horas após a morte foi submetido a autópsia por parte do médico Thomas Harvey. Este, sem autorização da família do Físico, retirou a massa encefálica do crânio. Fotografou-a inteira e depois seccionou-a em duzentas e quarenta fatias, que emergiu em formalina. Os olhos de Einstein também foram removidos a pedido do seu oftalmologista, Dr. Henry Abrams, segundo a justificação de que também teriam sido importantes para a genialidade do cientista.

Em 1978, o jornalista Stephen Levy, do jornal New Jersey Monthly, descobriu que o cérebro de Einstein havia sido retirado do cadáver antes da cremação. As aventurosas viagens do cérebro de Einstein passaram então a ser notícia nos meios de comunicação mundiais até que em 1997, Thomas Harvey resolveu entregar o cérebro (ou o que restava dele, pois alguns fragmentos estavam já na posse de outros cientistas)  à filha adotiva de Einstein, Evelyn Einstein, que então residia na Califórnia. Esta por sua vez duou o valioso espólio à Psicóloga e investigadora Sandra Witelson, da Universidade de McMaster, no Ontário.

Era um cérebro normal, até mais pequeno do que a média, mas distinguia-se dos restantes no que toca às dimensões e estrutura da região inferior do córtex parietal – tinha um elevado desenvolvimento desta área. Observava-se também um padrão invulgar de sulcos. Pensa-se que os neurónios desse local terão estabelecido circuitos suplementares entre si. Esta zona é fundamental quer para a capacidade cognitiva visuo-espacial, quer para o pensamento abstrato e a imagiologia do movimento. Tinha um maior número de células gliais do que a média o que aumentava a quantidade de mielina, aumentando assim a velocidade do estímulo nervoso. Daqui depreendeu-se, também, que estas células nervosas teriam mais exigências energéticas, isto é, consumiriam mais energia. Deste modo a área ligada ao raciocínio matemático estava especialmente desenvolvida.

O fator decisivo para a cognição não é o tamanho do cérebro, mas a sua especialização em determinadas tarefas!


2 comentários:

Lena Marques disse...

desconhecia essa aventura e pouco ou bada percebo de biologia neurologia cerebral. se esse estudo foi feito então realmente somos muito diferentes quanto à nossa belíssima máquina. Mozart, também foi um génio. a ciência explicaria como
beijokas

José Lourenço disse...

Obrigado pelo comentário, Helena.
Curiosamente a área do cérebro ligada à aprendizagem da música é a mesma área ligada à aprendizagem da Matemática...daí alguns autores defenderem que a aprendizagem da Matemática pode ser potenciada pela aprendizagem da música...

Beijinhos