sábado, setembro 22, 2012

Galileu Galilei
















Ao olhar através do telescópio, Galileu descobriu que por detrás das estrelas que pareciam fixas numa esfera de cristal existiam muitas outras a perder de vista, o que pôs em causa a localização do empíreo. Tendo Galileu revelado ao seu assistente a inexistência do empíreo, o mesmo jovem levantou a questão: "Onde está então Deus"? A resposta de Galileu: Dentro de nós ou em lado nenhum.
Afirmou, também, que podia provar matematicamente que a Terra gira em torno do Sol, não o contrário. O cardeal Bellarmine, principal teólogo da igreja romana, contrapôs que a realidade física não é explicável pela matemática mas pelas escrituras cristãs. Só que Galileu era um homem intelectualmente sério e corajoso, não receando a controvérsia que as suas ideias poderiam atear - Retirar à Terra o estatuto de centro do Universo seria "profanar" a casa da humanidade! Bem...Apenas pretendia substituir a autoridade da igreja por uma nova, a da Ciência no que às coisas físicas diz respeito. Tal é deveras interessante, já que Galileu era o que se podia considerar um bom cristão.
A teologia, focada no geocentrismo e antropocentrismo, teve e ainda tem de se ajustar às evidências galilaicas e da cosmologia contemporânea. O heliocentrismo provocou um real cataclismo teológico e filosófico. A inquisição limitou, naturalmente, o genial pensador. Galileu foi obrigado a abdicar das suas ideias, mas a verdade (que é como o azeite) acabou por vir ao de cima...Foi "reabilitado" na encíclica do Papa Pio XII, Humani generis, em 1950. Finalmente, o caso Galileu transitou em julgado depois que o Papa João Paulo II mandou rever o processo e admitiu por fim o erro da Igreja...quase quatro séculos depois :)

Obras consultadas:
Educação, Ciência e Religião de Alfredo Dinis (Teólogo)  e João Paiva (Químico)
Uma História da Matemática de Luís M. Aires

 A dicotomia ciência – religião é já antiga.  Há até quem advogue que, mais além do que a coexistência pacífica, é necessário aproximação e diálogo entre ambas. Colocam-se, entre estes, Alfredo Dinis, padre jesuíta e professor de Filosofia na Universidade Católica em Braga (actualmente director da Faculdade de Filosofia) e João Paiva, leigo e professor de Química na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Com propósitos pedagógicos, escreveram o livro “Educação, Ciência e Religião”, da Gradiva, que procura responder a várias questões relativas a essa aproximação e diálogo. Pode-se ou não concordar com eles, mas os autores são taxativos: “Mais e melhor ciência só pode significar melhor religião”. Aprenderam, portanto, com aquilo que eles chamam “descentramentos” do homem, que ocorreram ao longo da história da ciência. O primeiro é o descentramento cósmico, que se deu no início do século XVII com Galileu. O segundo é o descentramento biológico, que se deu a meio do século XIX, com Darwin. E o terceiro é o descentramento neurológico relativo à mente e à consciência humanas, que se estará a dar agora, na esteira de Freud embora não como sua herança directa (as modernas neurociências pouca justificação oferecem à psicanálise). A teologia foi, deste modo, obrigada a mudar no sentido em que a leitura da Bíblia deixou de ser literal.

2 comentários:

Leonel Morais disse...

Que imagem é esta do plano de fundo do blog? Ah, parabéns pela relevância dos temas! Forte abraço!

Lourenço disse...

Olá!
Obrigado pela visita e comentário.

O imagem do fundo do blogue é o um quadro do Salvador Dalí de que muito gosto: "o nascimento do mundo visto pelos olhos de uma criança"... Após a segunda guerra mundial, imaginava-se que o mundo seria outro e que nasceria um novo homem dessa experiência traumática que é a guerra . Mas a visão de Dalí não demonstra este otimismo. A criança que assiste ao nascimento está assustada e a mulher que aponta para o acontecimento, a saída do homem do ovo - mundo, é ao mesmo tempo esquelética e musculosa. É uma atmosfera de ameaça e não de alegria. O ovo é o próprio mundo, com uma casca mole...

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